Wednesday, January 12, 2011

E vamo que vamo.

Acordou,
colocou o dedo na tomada,
tomou sopa de letrinha
e uma injeção eletrônica.

Saiu pro dia naquele estado.
De choque, de surto-circuito.

Tuesday, January 11, 2011

teclada

“Quero te ver descendo daquele ônibus... é a situação mais real de todas, se não for a única. Porque o resto - cama, vinho, poesia -, isso é sonho, meu amor, isso é sonho.”

Sunday, December 19, 2010

Entrei no Google Maps,
sobrevoei o paraíso,
caraí e araçuaí.

Fui atrás de você de satélite.
Tô perdido neste espaço.

Saturday, December 18, 2010

Parque Tayrona

Trilha de areia
sob mata
caminhada de hora

Finda a trilha
finda o verde
mar doce mar

Nana Poe

Verve que ferve
pele que irradia
poesia

Fruta madura
caudalosa
signo de temporão

Subo neste pé
e provo o sentimento
da estação.

Wednesday, December 08, 2010

Sua voz me alimentou.

Veio à tona seu olhar
doce e certeiro.

Tácitos,
seus versos estocaram
meu peito e o sentimento
de pele tornou-se tato.

Pulsei depois
da sua ligação.

Monday, November 29, 2010

da saudade

A saudade é um osso duro de roer.
A saudade é o cão.
A saudade é uma autofagia.

Friday, November 26, 2010

paraíso

Depois de tanto verso
o inverso
Beijos desconstruíam
a palavra
Só a poesia continuava

Thursday, November 18, 2010

tangido

Ontem você transpareceu
de corpo e alma

Densa, etérea
Volumosa, lânguida
Badalo, pluma

Comunguei o seu silêncio.

Friday, November 12, 2010

sortilégio

A morte me ronda a mente
Não como uma velha desdentada, foicemente
Mas como uma criança inocente
Que me pega pela mão
E me leva docemente
Às vezes me olhando terna
Às vezes olhando pra frente
E eu ali sendo levado
À espera da mudança
Da máscara.

12/11/10

Hoje o dia desceu escada.

Wednesday, November 10, 2010

cepa

Se a ancestralidade
não passa
magistralidade

A descendência
desemboca
na decadência



- Medellín, 14/10/10

Friday, November 05, 2010

Se a ancestralidade não passa a magistralidade
A descendência desemboca na decadência.


- Medellín 14/10/10

Monday, September 27, 2010

elza, elza, elza

Amei receber o seu livro.
Isso fica tão forte quando a gente não se conhece.
A gente só se estremece.

Wednesday, September 22, 2010

é a rebimboca

E se for a aleatoriedade, e não Deus,
a responsável pela Morte?
Aí, não adianta apelar, não adianta rezar.
Apelou, perdeu. Rezou, não valeu.
A coisa fica para a linha de montagem.
Alilás, para o defeito de fábrica.

Friday, September 10, 2010

translançando

Penetrou noite afora.
Desluou quando adentrou o dia.
Solarizou-se.

Wednesday, September 01, 2010

Thursday, August 19, 2010

hai kai

o sol
na lapa
solapa

Monday, August 16, 2010

preliminares

Ia cheio de dedos...

Monday, July 26, 2010

era

O futuro é incerto, pode nem acontecer.
Não necessariamente pela morte
O futuro é uma questão de sorte

O presente é o ambulante que arrasta
a linha do passado para o futuro.

O passado, sim. Esse continua vivo.

Friday, July 23, 2010

entressafra

Nem o mais exímio dos poetas,
Aquele que lavra a musa com o coração,
Que lança as sementes com as mãos calejadas de ternura,
Nem este consegue cultivar o broto de uma paixão não correspondida.

Tuesday, May 25, 2010

en passant

Todo trânsito é transitório.
Todo transeunte é passageiro.

Monday, May 17, 2010

o que mais eu poderia querer?

Já vi disco voador,
já encontrei minha alma-gêmea,
meu anjo da guarda apareceu pra mim
e um mestre de luz em sonho real já me curou.

Thursday, May 13, 2010

coletivo de burro

:vexame de birimbondo.

Monday, April 26, 2010

Monday, April 19, 2010

hai cai-não-cai

Envelhecer é perder o viço
e ter o visto negado
na entrada do paraíso.

Friday, April 16, 2010

hai cai

Cada passo
Em falso
Um cadafalso

Friday, April 09, 2010

poisé

Envelhecer é ter a idade da alma defasada da idade do corpo. Esse é o problema, essa é a questão. Meus sonhos, meus medos, meus caprichos, minhas impertinências, minha ansiedade, minha irreverência, meu alter ego, minhas volúpias, minha criança que reside dentro de mim, todos existem, estão claros e evidentes em minha cabeça, em meu coração. Eles são a minha alma, a minha essência. Mas a carcaça desvia a atenção. Esse é o problema, essa é a questão.

À medida que envelhecemos vamos ficando transparentes, até atingir a invisibilidade. Aí é o breu total no fim do túnel.

Wednesday, April 07, 2010

Wednesday, March 31, 2010

trova acidental

Bati na traseira
Perdi a razão
Por outra traseira
No calçadão

Friday, March 12, 2010

abissal

O homem é um produto do meio
Eu tenho meus meios
Ora explodo como um obus

Ora me fecho em concha
Molusco, remoo

Em meio amargo
Cristalizo lágrimas
Somatizo pérolas

Tuesday, March 09, 2010

seios
receios
respeitos

Wednesday, March 03, 2010

ninguém passa
sem olhar o relógio da praça
a hora passa

Monday, March 01, 2010

Thursday, February 25, 2010

desandando

Este trânsito me deixa em transe
Sonhando em ter um helicóptero
Em ser um lepidóptero

Imagino asas

Não me safo
Engarrafo

Wednesday, February 24, 2010

trem de doido

Cheguei atrasado ao aeroporto
e fiquei a ver navios.

Monday, February 22, 2010

panaceia

Ulisses se amarrou no navio
para não dar ouvidos às sereias.

Tem uma que é só me dar corda
E eu vou.

Friday, February 19, 2010

um brinde

Bebo pelas traições
pelas inverdades
pelos relácios malsucedidos

Bebo pelas convenções
pelas alegrias
pela ávida vida

Bebo pelo conjunto da obra
Bebo pela sobra
Bebo pelo dia a dia

Thursday, February 18, 2010

Quando você desvenda
um segredo
é palíndromo.

Você de cá,
ele de lá.

Friday, January 22, 2010

suspiro

o advérbio
tem um ar de verbo
Escrever me enlouquece
Me ataca a virose das letras

Verborragia na alma
Sangria desletrada
Nos momentos de solidão
Vem a lucidez
A lucidão.

Monday, January 11, 2010

A espera é uma moça safada.
Deixa a gente ansioso, cansado e infeliz.
E depois diz que a culpa é das horas.

impressões

As palavras nascem das sensações.
Sentir é parir.
Parir a palavra-carne.

hai-sai

verborragia
sangria desletrada
palavreado

Monday, December 21, 2009

Monday, December 14, 2009

moral da história:

confabulava com esopo.

Thursday, December 03, 2009

surto-circuito

os cravos de Jó
ou o escravo e a rosa?

Tuesday, November 10, 2009

itacaré

Andando na contramão da pegada na areia
vou indo para onde ela veio
e vindo de onde ela vai
passo a passo
o passado vai passando
o encontro vai ficando cada vez mais distante
e o presente segue firme adiante
marcado pelo tênue momento
pé sobre pé

Monday, November 09, 2009

nem tudo está perdido

O ônibus
A carteira
A esperança

Wednesday, November 04, 2009

boipeba

Moreré de a pé
Com a volta não arco
Vim de barco

Friday, September 04, 2009

sensação de ser

Viver nada mais é do que ser desvirtuado dos propósitos puros e belos da criação ao nos transformarmos em criaturas.

Monday, August 24, 2009

sobra de campanha

No dia que profanarem minha urna,
acharão, além de meus ossos,
mais precisamente dentro da caveira,
a única coisa que esta terra
não houve de comer.
As lentes que substituíram
a minha catarata.

Thursday, August 06, 2009

à vista

Constatada a catarata, descobriu no pedido
que o plano de saúde não cobria o exame pré-operatório.
A dúvida era: fazia ou não fazia?
Iam lhe cobrar os olhos da cara!

Tuesday, August 04, 2009

história da humanidade em três tempos.

A roda impulsionou o homem,
a necessidade fez o sapo pular,
o progresso chegou.

Sunday, July 26, 2009

festa à fantasia brega

A empregada tá em casa.

Monday, July 20, 2009

teorema

A saudade ganha proporções sem tamanho
e a densidade absoluta do vácuo
quando se trata de uma cama vazia.

Wednesday, June 17, 2009

pré

às vezes eu me lembro de sonhos
de fragmentos de sonhos
milésimos de frames

às vezes as coisas me lembram sonhos
memórias antigas mesmo
coisas de antes da existência

Tuesday, June 09, 2009

9/6/9

Hoje o dia deu cambalhota.

previsão do tempo

Para você que segue o meu blog
E fica antenada a tudo que escrevo
Há de chegar o dia
Em que seu nome não mais será poesia
Mas apenas um passado remoto
Fruto perdido no tempo
Breve nostalgia.

Tuesday, June 02, 2009

casulo

Saudade daqueles tempos de mel.
Quando na saída do bar
ela me perguntava se tinha cerveja lá em casa.

Se tinha, tinha.
Se não tinha, a gente saía com uma sacolinha.

E lá a gente se embebia de tanto amor.

Friday, May 29, 2009

catatonia

De repente houve um lapso de tempo
Nada fazia sentido
Eu de cá, você de lá
- A rede caiu.

Chovia que desabava...
O pranto da saudade era muito
- Nós desacordados no tempo

Cadê você?
no cel, no tel, no net
Eu tinha que falar com você
Minutos eternos
Timeless
Minhas palavras em silêncio

Bati tambor
Minha música levada no vento
em ondas pelo temporal

Coração turbulento
Me tira do ritmo a razão
com solos de sentimento
- Chão de estrelas

Cadê você?
No cel, no tel, no net
Eu tinha que falar com você
Minutos eternos
Timeless
Minhas palavras em silêncio

Aquele dia foi o dia
O dia do nosso cruzamento
Nossas almas s’encontraram
- O encontro inevitável do intenso.

Nos encontramos
de tanto impedimento
Eu de cá, você de lá
- Tanta saudade em tanto silêncio

O encontro foi inevitável
de tanto impedimento
Eu de cá, você de lá
- Presos no tempo

Destino traçado no silêncio
Caminho mudo
Eu de cá, você de lá
- Nada de contratempo

O tempo não conta
Timeless
E estamos combinados

sabedoria na madrugada

Sabedoria é tudo.
Sabedoria é experiência atrás de experiência.
Experiência é fazer.
Experiência, só quando acontecer.
Acontecer é fato.
Aconteceu, fez, experienciou, viveu, sabeu.
Já comecei a filosofar.
Como os gregos.
Estou grogue.

Wednesday, May 20, 2009

tônus bônus ônus

A gente envelhece no físico
desproporcionalmente
ao espírito.
A carcaça acaba mais rápido.
O corpo range, o espírito sente.
Sentir é rejuvenescer.
Só quando você sente profundamente
sua caveira se enche de luz.
Eis a mocidade!
O corpo chia, o espírito sente.
A alma se lava.

Thursday, May 14, 2009

órfão

Hoje acordei desamparado.
A saudade estava longe,
o conforto sentia frio,
só a solidão estava presente.

Tudo nada azul.

Thursday, May 07, 2009

têmpera

hoje acordei com uma raiva de mel
um tempero doce-azedo
com nuances de distância
e o gosto bruto da saudade
coisas do temperamento,
simples assim.

Wednesday, March 25, 2009

lá e lá

Entrei num labirinto
Redemoinho de emoções
Becos e becos e becos
Confusão cardial
Impaciência com tantas indecisões
andança que ora desanda
andânsia
Na bússola o meu norte desaponta
Becos e becos e becos
Cadê a essência
da rosa dos ventos ?



*Publicado no Balaio Porreta > http://balaiovermelho.blogspot.com/

cada vez

Cada vez mais
Me afasto
Do nefasto

Estou farto
Me infarto
Cada vez menos

Wednesday, March 11, 2009

a rotina

A rotina é uma sábia adestradora.
Ela nos demanda procedimentos
complexos/práticos.
Enchendo a nossa vida de nada.
Hoje eu procurei o seu cheiro
nos meus lençóis.
Encontrei a lembrança.

xifópaga

Veio vestida de xadrez.
Eu só queria o xeque-mate!

Veio vestida de xadrez.
Só queria o cheque-mate.

mania de grandeza

Detesto soluço
Adoro solução

Monday, February 09, 2009

não sou sábio
nem néscio
sou cônscio
no ócio do ofício

solamente

Nascer é sozinho
A luta é sozinho
Morrer é sozinho

No momento é só.

Friday, February 06, 2009

Nos labirintos de Creta

Que mulher é essa
que me envolve com seu jeito

Que mulher é essa
que me envolve com seu jeito de falar

Que mulher é essa
que me envolve com seu jeito de pensar

Que mulher é essa
que me envolve com seu jeito de ser

Que mulher é essa

Que mulher é essa
que está por um quase

Que mulher é essa
que quase se apresenta

Que mulher é essa
que quase me espanta

Que mulher é essa
que quase se me encanta

Que mulher é essa
que quase quase

Wednesday, February 04, 2009

saída à francesa.

Cheguei cheio das possibilidades.
Voltei sem nenhum trocado.

Monday, February 02, 2009

show

Mais uma, e o bis vira tris.

Friday, January 30, 2009

às vezes

Às vezes, o trunfo é de quem proferiu a última palavra.
Às vezes, é de quem preferiu o silêncio.

Thursday, January 29, 2009

Viva o lixeiro, viva o carteiro.

Eles limpam a nossa barra
e ainda mandam notícias.

pesadelo real

Uma vida toda é efêmera.

raio x

O final da existência é triste.
O resto de vida pede viço.
Com voz rouca, trêmula.

A alma assiste a essa esmola.
O corpo é que luta.

Escoa vida a cada expiração
desde que nascemos.

O nome diz: oxida.
Respirou, oxidou.

Oxidação
Oxida a ação
- O movimento.
Trava

Aos poucos o esqueleto vai travando
uma batalha para não emperrar.

Tem que imperar.

E assim vai essa luta robótica
À flor da pele
Tendo que ser azeitada nas juntas

...À espera do tilt.

Wednesday, January 28, 2009

pour la petite française

Adorei o bolo.
Aliás, o petit gateau.
Mas um, basta.

Au revoada

Thursday, January 22, 2009

da migração

Uma andorinha só não faz verão.
Uma janela só não ventila.

O poema decifra o encanto.

Monday, January 12, 2009

Feliz Dois Mil In Love

No quinto dia do ano novo
larguei do cigarro
de palha

Já você
você tinha se esfumaçado
um tempo antes

Friday, December 19, 2008

somatizando

Neste instante minha alma sangra.
Um vazio denso toma conta.
Estou na cicatriz do choro.

Thursday, December 18, 2008

The End

Eu passo.
Estou passado.
O presente ficou para trás.

Friday, December 12, 2008

sentinela

Ontem escorreguei no cuidado
E deixei entornar um pouco
Do precioso líquido da paixão.

Havia-me sido entregue a sua guarda
Em um potinho de cristal.

Parece que derrapei no tato
Esbarrei no excesso de confiança
E – catapimba – bati de cara no egoísmo.

Não olhei por onde andei...
Doeu.

Líquido precioso, de um brilho ímpar.
Já no chão, me pareceu turvo, opaco.
Aspirei. Tentei aspirar tudo que caiu.

Tá lá ele no pote.
Será que volta o brilho?
Fico o dia inteiro em volta.
Como um cão de guarda.
De olho se há alguma luminescência.

Não depositei nenhuma lágrima.
Não adianta.
Mas existe uma atmosfera de muita tristeza.
Mas que também não interfere.

Vamos aguardar.
Só espero que aquele pote não seja uma caixa de pandora.
Onde o último dos males está guardado: o destruidor da esperança.

Thursday, December 11, 2008

verão frio

Hoje minha tristeza é compartilhada com as paredes.
Frias, lisas, apenas me observam.
Sigo as linhas, tento convergências
O desamparo toma conta do vão.
Ando pelas quinas

A alma não acalma
A desolação bate no teto
O aconchego é branco