Eu confundo um filme que me contam como se eu o tivesse visto. Confundo se é um sonho antigo ou uma história que me contaram. Confundo tudo nesse cafundó da vida.
Elas sofrem com os olhares diretos Com os comentários discretos Com a repulsa velada
Sofro com as grandes catástrofes Com os piores mistérios Com as impossibilidades
Solitários na imensidão do caos Vamos eu e meu planeta
Monday, January 02, 2012
Às vezes achava a vida um doce. Às vezes uma fruta bichada que abria com as mãos. Às vezes ardia em febre de esperança Às vezes calafriava-se de incertezas Às vezes às vezes, às vezes sempre.
Ninguém tem nada a ver com a minha dor Ninguém tem nada a ver com a minha cor O problema é todo meu Ninguém tem nada com isso Ninguém tem nada comigo Se a Rita me irrita, eu que me irrito Ela tá na dela, ela é assim, eu sou assado Sai fora da Rita, desse círculo viciado Não se importe tanto Não importar é o que importa Dê um fim nisso O meio não pode ser seu fim O meio pode ser seu fim
Ou então voe alto Para longe, em outros ares Menos densos, mais raros Outros lugares Flutue, isso, respire, isso O seu meio, o seu habitat É você quem faz
Os fins não justificam os meios O meio não pode ser seu fim
Wednesday, February 16, 2011
Eu tenho a pressa das emergências Por isso meu carro bebe Eu bebo
A travessia me entorpece A demora chega nunca
Estou aqui de passagem
Enquanto não chego - a lugar nenhum – Vou apreciando as paradas
Não sabia escrever um poema de amor. Que horror! Entretanto, falava “eu te amo” com a maior desenvoltura. Que loucura. Já ele, descrevia bem a sua paixão. Sem discrição. E diz que dizia, mais era com os olhos.
“Quero te ver descendo daquele ônibus... é a situação mais real de todas, se não for a única. Porque o resto - cama, vinho, poesia -, isso é sonho, meu amor, isso é sonho.”
Sunday, December 19, 2010
Entrei no Google Maps, sobrevoei o paraíso, caraí e araçuaí.
Fui atrás de você de satélite. Tô perdido neste espaço.
A morte me ronda a mente Não como uma velha desdentada, foicemente Mas como uma criança inocente Que me pega pela mão E me leva docemente Às vezes me olhando terna Às vezes olhando pra frente E eu ali sendo levado À espera da mudança Da máscara.
Sou milloriano e quintanesco,
me esclareço em Drummond, me encanto em cem anos de solidão. Borges brinca comigo e Cortázar me corta e recorta, mas é Rosa quem me dá a sensação de ser.
P.S. Leminski me abrevia.