Wednesday, February 28, 2007

ímpeto

Essa palavra que impulsiona tanta coisa.

Monday, February 26, 2007

vontades súbitas
(geralmente monstruosas)
daquelas que você tem até medo
de saber que existem

Friday, February 23, 2007

E quando você
adora a expressão
e a segura na cara
para ir até o espelho
do banheiro?

É difícil segurar
o momento

Você fica de cara

sussurros muitos
di versos

independente mente
se de manha
ou de sanha

sussurros apenas
sussurros isso tudo

sussurros sem olvido na alma

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pé de página:

O que manda na escrita
é a idéia

ela faz o que quer
com a palavra

ela biparte
ela polariza

ela inventa
tempos e verbos

ela verbaliza
através da leitura

O que escreve
fala

O que lê
escuta

essa é a idéia

Wednesday, February 21, 2007

para cativar uma flor
peguei meus apetrechos de jardineiro
e fiz uma amálgama de flor e beija-flor

Wednesday, February 14, 2007

numerologia humana

Um por todos
Dupla dinâmica
A santíssima trindade
Os 4 cavaleiros do apocalipse
Os cinco sentidos
A besta do 666
As 7 maravilhas do mundo
Oitava na peneira
A nona de Beethoven
Os dez mandamentos

E todos por nenhum.

Monday, February 12, 2007

da saudade

A saudade perde o fôlego
A saudade arfa
A saudade bambeia
A saudade fraqueja
A saudade perde a noção

A saudade deslumbra
A saudade sente cheiro
A saudade é presença
A saudade é momento
A saudade cai feito tempestade

A saudade atordoa
A saudade cega
A saudade tira do ritmo
A saudade samba
A saudade descamba

A saudade alimenta
A saudade preserva
A saudade entra no meio
A saudade atravessa
A saudade acomete

A saudade se faz
A saudade encanta
A saudade espanta o que não interessa

Saudade às avessas

Saudade que sente a presença forte da ausência
Que viaja a tempo de ver perto o que está longe
A saudade é um monge

A saudade pactuou com a distância para que inexista
A saudade é um artifício da esperança
A saudade quer ver se alcança

A saudade não faz rodeios
A saudade nem pisca
A saudade é uma brecha

você paralisa meu tempo
sua essência perpetua no ar
petrifico

Friday, February 09, 2007

mulheres

umas bonitas
outras gostosas
umas com charme
outras cheirosas
umas da vida
outras de morte
umas com ânsia
outras com sorte
umas assim
outras assado
mas todas tão complicadas...

Friday, February 02, 2007

nem
a rosa dos ventos na sua essência
com seus pontos cordiais
insinuantes

mas
Maria Flor com seu perfume
que desorienta
meu norte

Tuesday, January 30, 2007

Hai cai chuva de poesia
Na telha de Bashô
Bashô a nega maluca
Acabô de baxá

Friday, January 26, 2007

axioma

Duas retas encruzilhadas se encontram no destino.

Monday, January 15, 2007

pontes sobre o rio

Aves são pontes
que cruzam o céu.

rapina / pinguela

Alçar vôo
é riscar o ar.

Escrever é a arte de fazer
a ponte
entre a cabeça e o papel.

A mão é a ponte.
A caneta também.

Tudo é ponte
Tudo é sobre,
sobretudo.

Quando você ouve
uns blams

são as portas
da sua consciência
batendo.

Ou a coisa passou
ou foi o vento.

Friday, January 12, 2007

esquina capital

Brasília é uma cidade sem esquinas

E não ter esquinas
É não ter encontros súbitos
É não ter a surpresa do que vem lá

Não ter esquinas
É não ter abordagens amorosas
Encontros marcados
É viver uma vida sem conversões

Não ter esquinas
É não saber do vento atravessado
É não sentir a nostalgia das penumbras
É não ter a orientação das placas de rua

Não ter esquinas
É não comprar na venda da esquina
É não perguntar ao guarda da esquina
É não ter o “extra” do jornaleiro

E não ter esquinas
É não saber o que é esquina

Pois a esquina
É onde tudo acontece

A esquina
É por onde a vida circula

A esquina
É a curva do mundo

Thursday, January 11, 2007

No fim
tudo ter sido miragem:
as pessoas, os encontros
a vida.

A realidade foi um sonho.
A morte é a vida eterna.

Não é preto no branco, são cinzas.

Não ponha em risco o seu traço.

Wednesday, January 03, 2007

o lado escuro do dia

A noite é mística
A noite é mágica
A noite assusta

(dizem, à noite, serem
os gatos pardos...)

A traição é parda
A eminência furta

A noite assombra
A sombra assusta

A noite esconde.
A sensação de bastidor é clara,
a luz da noite é escura.


Já o dia é exato!
É segmento de reta.
A outra é curva

Hiperbólica
Diabélica
Noite pura

Eu e a casa

Eu e a casa
A casa e eu.

Dois estranhos
um para o outro
Ela o ninho
Eu o pássaro
Solto preso
aqui no Acre

Eu e a casa
A casa e eu.

Ainda sem muita
intimidade
Suas paredes
nada me dizem
Meus passos
é que retumbam

O diálogo é o eco

Eu e a casa
A casa e eu.

Recintos formais
sentimentos demais
Mas eu falo.
E as paredes escutam
Escrevo.
Elas presenciam

Penso. Silêncio