Thursday, July 19, 2007
Thursday, June 28, 2007
quarador
Quando me viram
pendurando-a
no varal
acharam que eu
a tinha lavado.
Quem dera!
Estou precisando mesmo
lavar a alma.
Mas foi apenas
uma retirada estratégica
para torcer e aliviar
a friagem do peito.
Wednesday, June 27, 2007
latência
Existe uma tristeza
perfilada
no meu peito
danada
encolhe-se à primeira
aproximação dos amigos
ou
vira mentira
na lida do santo ofício
covarde
sem fazer alarde
vira um ponto
um cisto
e o bote está armado
para o primeiro vacilo
de solidão.
Thursday, June 21, 2007
Thursday, June 14, 2007
Wednesday, May 30, 2007
O peteleco já estava armado
era o lado de trás do botão
da jaqueta que estava
do lado avesso.
- vista cansada
Tuesday, May 29, 2007
boletim do tempo
adomingada
O mundo jaz sem colorido
Os sorrisos não interessam
- dia sinistro
O breu noturno encarrega-se
de pensamentos soturnos
Thursday, May 24, 2007
Wednesday, May 09, 2007
alma gêmea
nossos olhares se fixaram
- pupilas congeladas no instante indizível
pude então penetrar naquele azul profundo
de um brilho ancestral na íris
de remota familiaridade
um olhar antigo
reconhecido num piscar de eras
almas gêmeas
forjadas no astral dos tempos
eternas, vigilantes
em todas as épocas.
Friday, April 20, 2007
Alice
Minha linda, botão em flor,
o tempo passa,
as estações chegam
e a mãe-natureza desabrocha
em menina-moça,
em rosa mulher.
Wednesday, April 18, 2007
transfusão
Quando eu roçar a minha boca na sua
quero sorver um pouco dos seus poemas
sentir o sopro lânguido da sua alma
e mergulhar no caos da inquietante paixão
Tuesday, April 17, 2007
Wednesday, April 04, 2007
) (
não me deixe perdido no espaço
no momento me desloco ao dissabor do seu vento
- quase me perco no etéreo -
busco sua referência
numa exorbitante gravitação
vácuo
ausência
silêncio
o universo pulsa em meu peito
Wednesday, March 14, 2007
Tuesday, March 13, 2007
Friday, March 09, 2007
Monday, March 05, 2007
Friday, March 02, 2007
de repente
De repente
tenho ganas de arrancar do peito
o coração
para observá-lo pulsar
compulsivamente
em minha mão
Que lentamente se avermelha
pulsão
compulsão
pulsação de sangue-bom
O sentimento no braile
no obscuro tátil da coisa.
Thursday, March 01, 2007
sem palavras
Não tenho mais palavras para falar o que sinto por você. Elas se exauriram. Secaram, não fazem mais efeito, nem pra mim nem pra você. Não trazem nada de novo. Não transformam, não transtornam, não deleitam. Soçobram as palavras. A mim, só sobram sentimentos. A nova linguagem agora vem da alma. Ela fala o idioma dos suspiros, uma espécie de dialeto da saudade.