Thursday, January 22, 2009

da migração

Uma andorinha só não faz verão.
Uma janela só não ventila.

O poema decifra o encanto.

Monday, January 12, 2009

Feliz Dois Mil In Love

No quinto dia do ano novo
larguei do cigarro
de palha

Já você
você tinha se esfumaçado
um tempo antes

Friday, December 19, 2008

somatizando

Neste instante minha alma sangra.
Um vazio denso toma conta.
Estou na cicatriz do choro.

Thursday, December 18, 2008

The End

Eu passo.
Estou passado.
O presente ficou para trás.

Friday, December 12, 2008

sentinela

Ontem escorreguei no cuidado
E deixei entornar um pouco
Do precioso líquido da paixão.

Havia-me sido entregue a sua guarda
Em um potinho de cristal.

Parece que derrapei no tato
Esbarrei no excesso de confiança
E – catapimba – bati de cara no egoísmo.

Não olhei por onde andei...
Doeu.

Líquido precioso, de um brilho ímpar.
Já no chão, me pareceu turvo, opaco.
Aspirei. Tentei aspirar tudo que caiu.

Tá lá ele no pote.
Será que volta o brilho?
Fico o dia inteiro em volta.
Como um cão de guarda.
De olho se há alguma luminescência.

Não depositei nenhuma lágrima.
Não adianta.
Mas existe uma atmosfera de muita tristeza.
Mas que também não interfere.

Vamos aguardar.
Só espero que aquele pote não seja uma caixa de pandora.
Onde o último dos males está guardado: o destruidor da esperança.

Thursday, December 11, 2008

verão frio

Hoje minha tristeza é compartilhada com as paredes.
Frias, lisas, apenas me observam.
Sigo as linhas, tento convergências
O desamparo toma conta do vão.
Ando pelas quinas

A alma não acalma
A desolação bate no teto
O aconchego é branco

Monday, November 24, 2008

escritos

Escritos, escritos
Escritos por todos
os lados

Escritos escravos

Escrevinhados em papeizinhos, em guardanapos
Escritos guardados

Eu puxo e sai tudo

Escritos por todos
os lados

Friday, November 21, 2008

artemanha

a poesia é fato
o fato é artifício
o poema é artefato

Thursday, November 13, 2008

msg de amor

Saudade doce ou saudade docê?
A saudade é tão grande
que a teclada gulosa
não deixa saber.

Tuesday, November 11, 2008

Sua Majestade Olivrão


HOJE É ANIVERSÁRIO DE DEZ ANOS D'OLIVRÃO,
NASCIDO EM 11/11/1998.
PARABÉNS, OLIVRÃO, E OBRIGADO POR ME DEIXAR DEFLORAR TUAS PÁGINAS,
CANETAR TUAS FOLHAS VIRGENS, POR TORNAR-TE ENSEBADO.
EM VOCÊ ME ESCONDO NAS ENTRELINHAS,
ME DESCUBRO EM PALAVRAS,
ME CALO NO PEITO AO ESCANCARAR O VERBO.
DE VOCÊ NUNCA MAIS ME LIVRO.
DESCULPE MEUS ERROS, MINHAS ANSIEDADES,
POR FAZER DE TI
MEU MATA-BORRÃO DE EXAGEROS,
MEU PÁRA-RAIOS DE IDÉIAS.
MEU ESPELHO DA VERVE.
MUITO OBRIGADO POR TODAS AQUELAS NOITES EM QUE CAÍMOS JUNTOS EM TENTAÇÃO.
QUE VOCÊ VIVA MUITOS E MUITOS VOLUMES.
PARABÉNS!

Friday, October 31, 2008

sapiência

Realmente,
o homem evoluiu
das águas. E vai para o brejo.

hai cai

A missa como submissão
me inspira versos
de subversão

Tuesday, October 21, 2008

Desde que inventaram a casquinha, todo mundo tira uma.

Eu sou o conjunto de meus trejeitos
com um desenho de gestos.
Sou um bando de pensamentos
num miolo de carne.

Wednesday, October 01, 2008

lua nova

Vampiro míope
assaltou por engano
um banco de leite.

Que infeliz empreitada!

Terminou exangue
com uma sangria desnatada.

Wednesday, September 17, 2008

vida quântica

Do pó viemos.
Somos feitos de matéria.
E a matéria é feita de átomos.

Aliás, podemos fazer uma analogia
da nossa vida
com o comportamento de um átomo.

Por exemplo,
quando nascemos estamos cheios de energia,
como se fôssemos o elétron mais distante do núcleo,
no último nível.

Mas à medida que o tempo vai passando
vamos perdendo energia,
caindo para níveis inferiores,
cada vez mais próximos do núcleo.

E cada vez mais
a degeneração de células acontecendo
e a energia declinando.

Os laboratórios clínicos
passam então a ser o núcleo,
e nós, cada vez mais, circunvizinhando-os.

Uma queda de energia brutal
e o núcleo passa a ser os hospitais.
Estamos no primeiro nível,
o de menor energia.

Mais uma involução
e o elétron kamikaze – fraco de energia
mergulha para a colisão com o núcleo.

Um último suspiro de luz é visto.

Estado nêutron, cemitério.
E ao pó voltamos.

Monday, September 15, 2008

fazem sentido outros cinco

Tem aquele que não quer enxergar
Tem o que faz ouvidos moucos
Tem um que não tem tato nenhum
Tem aquele que só dá desgosto
E tem o que não fede nem cheira

Monday, September 01, 2008

brainstorming

Tempestade vocálico-imaginária.

cubismo

Quando a coisa
se transfigura
muda de figura.