Tuesday, July 19, 2011

fake

saiu do facebook
sumiu do bate-papo
:a máscara era muito pesada.

Thursday, July 07, 2011

debando

o mel que saía da sua boca
já não adoça

alquimia estranha

:a distância turva o néctar
aves negras emanam
de um hálito morno longínquo

legado

a saudade
as mensagens no celular
e a escova de dentes

Wednesday, July 06, 2011

hai kai

da esperança se nutre
vide o voo alto
a que se lança o abutre

Wednesday, June 29, 2011

hai kai

Em noite de lua cheia ou véspera
não gosto de papo de ET
e ETC.

Monday, June 27, 2011

motim

não foi o navio pirata que abordou
nem foi o navio negreiro que raptou
foi a intifada da amada
que fez o levante da âncora
e zarpou

Monday, June 20, 2011

etimologia

Latim:
In vino veritas.

Italiano:
È vero.

Mineirês:
É de vera.

Wednesday, June 08, 2011

bagagem

levo comigo um punhado de pedras
as que me acertaram
as que catei na rudeza dos caminhos
aquelas nas quais eu tropecei

levo comigo também as perdas
- um fardo na existência
que me leva a deixar rastros

trago comigo as penas 
– as sentidas e as imputadas
mas me faltam aquelas que me alçariam voo
e me tornariam mais leve

Saturday, May 28, 2011

hai sai

a relação cai
morre o celular
silêncio pra todo mundo

Thursday, May 26, 2011

frêmito

A paixão é ave fugidia

alçapão não pega
ninho não aquece
pão não segura

um voo mais rasante
um mergulho no infinito

e o voo sem volta

penas e danos
voo sem revolta

Monday, May 23, 2011

epifania

Os sentimentos podem ser fortes como corrente
mas as relações têm elos frágeis.

Sunday, May 22, 2011

ciganinha

passou por aqui
leu cartas
poemas
invocou destinos

deixou alma
palma
deixou gosto

Thursday, May 19, 2011

hai kai

triste sonho
tristonho
o sonho acabou

Monday, May 16, 2011

Wednesday, May 11, 2011

alô alô

o tel toca
não o cel,
mas o céu

Saturday, April 30, 2011

Tuesday, April 26, 2011

hai kai

nau frágil
naufrágio
náufrago

Monday, April 25, 2011

estojo de critérios

O lápis vive se queixando da borracha,
diz que ela é uma desmancha-prazeres.
Enquanto a caneta ri soberba.

Tuesday, March 29, 2011

espectro (letra de música)

Ninguém tem nada a ver com a minha dor
Ninguém tem nada a ver com a minha cor
O problema é todo meu
Ninguém tem nada com isso
Ninguém tem nada comigo
Se a Rita me irrita, eu que me irrito
Ela tá na dela, ela é assim, eu sou assado
Sai fora da Rita, desse círculo viciado
Não se importe tanto
Não importar é o que importa
Dê um fim nisso
O meio não pode ser seu fim
O meio pode ser seu fim

Ou então voe alto
Para longe, em outros ares
Menos densos, mais raros
Outros lugares
Flutue, isso, respire, isso
O seu meio, o seu habitat
É você quem faz

Os fins não justificam os meios
O meio não pode ser seu fim