Thursday, February 25, 2010

desandando

Este trânsito me deixa em transe
Sonhando em ter um helicóptero
Em ser um lepidóptero

Imagino asas

Não me safo
Engarrafo

Wednesday, February 24, 2010

trem de doido

Cheguei atrasado ao aeroporto
e fiquei a ver navios.

Monday, February 22, 2010

panaceia

Ulisses se amarrou no navio
para não dar ouvidos às sereias.

Tem uma que é só me dar corda
E eu vou.

Friday, February 19, 2010

um brinde

Bebo pelas traições
pelas inverdades
pelos relácios malsucedidos

Bebo pelas convenções
pelas alegrias
pela ávida vida

Bebo pelo conjunto da obra
Bebo pela sobra
Bebo pelo dia a dia

Thursday, February 18, 2010

Quando você desvenda
um segredo
é palíndromo.

Você de cá,
ele de lá.

Friday, January 22, 2010

suspiro

o advérbio
tem um ar de verbo
Escrever me enlouquece
Me ataca a virose das letras

Verborragia na alma
Sangria desletrada
Nos momentos de solidão
Vem a lucidez
A lucidão.

Monday, January 11, 2010

A espera é uma moça safada.
Deixa a gente ansioso, cansado e infeliz.
E depois diz que a culpa é das horas.

impressões

As palavras nascem das sensações.
Sentir é parir.
Parir a palavra-carne.

hai-sai

verborragia
sangria desletrada
palavreado

Monday, December 21, 2009

Monday, December 14, 2009

moral da história:

confabulava com esopo.

Thursday, December 03, 2009

surto-circuito

os cravos de Jó
ou o escravo e a rosa?

Tuesday, November 10, 2009

itacaré

Andando na contramão da pegada na areia
vou indo para onde ela veio
e vindo de onde ela vai
passo a passo
o passado vai passando
o encontro vai ficando cada vez mais distante
e o presente segue firme adiante
marcado pelo tênue momento
pé sobre pé

Monday, November 09, 2009

nem tudo está perdido

O ônibus
A carteira
A esperança

Wednesday, November 04, 2009

boipeba

Moreré de a pé
Com a volta não arco
Vim de barco

Friday, September 04, 2009

sensação de ser

Viver nada mais é do que ser desvirtuado dos propósitos puros e belos da criação ao nos transformarmos em criaturas.

Monday, August 24, 2009

sobra de campanha

No dia que profanarem minha urna,
acharão, além de meus ossos,
mais precisamente dentro da caveira,
a única coisa que esta terra
não houve de comer.
As lentes que substituíram
a minha catarata.