Wednesday, March 31, 2010

trova acidental

Bati na traseira
Perdi a razão
Por outra traseira
No calçadão

Friday, March 12, 2010

abissal

O homem é um produto do meio
Eu tenho meus meios
Ora explodo como um obus

Ora me fecho em concha
Molusco, remoo

Em meio amargo
Cristalizo lágrimas
Somatizo pérolas

Tuesday, March 09, 2010

seios
receios
respeitos

Wednesday, March 03, 2010

ninguém passa
sem olhar o relógio da praça
a hora passa

Monday, March 01, 2010

Thursday, February 25, 2010

desandando

Este trânsito me deixa em transe
Sonhando em ter um helicóptero
Em ser um lepidóptero

Imagino asas

Não me safo
Engarrafo

Wednesday, February 24, 2010

trem de doido

Cheguei atrasado ao aeroporto
e fiquei a ver navios.

Monday, February 22, 2010

panaceia

Ulisses se amarrou no navio
para não dar ouvidos às sereias.

Tem uma que é só me dar corda
E eu vou.

Friday, February 19, 2010

um brinde

Bebo pelas traições
pelas inverdades
pelos relácios malsucedidos

Bebo pelas convenções
pelas alegrias
pela ávida vida

Bebo pelo conjunto da obra
Bebo pela sobra
Bebo pelo dia a dia

Thursday, February 18, 2010

Quando você desvenda
um segredo
é palíndromo.

Você de cá,
ele de lá.

Friday, January 22, 2010

suspiro

o advérbio
tem um ar de verbo
Escrever me enlouquece
Me ataca a virose das letras

Verborragia na alma
Sangria desletrada
Nos momentos de solidão
Vem a lucidez
A lucidão.

Monday, January 11, 2010

A espera é uma moça safada.
Deixa a gente ansioso, cansado e infeliz.
E depois diz que a culpa é das horas.

impressões

As palavras nascem das sensações.
Sentir é parir.
Parir a palavra-carne.

hai-sai

verborragia
sangria desletrada
palavreado

Monday, December 21, 2009

Monday, December 14, 2009

moral da história:

confabulava com esopo.

Thursday, December 03, 2009

surto-circuito

os cravos de Jó
ou o escravo e a rosa?