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justo
feito boca de siri
uma luva menor
a calça apertada
justo
sempre justo
pelo injusto
sofro de não caber em mim
não tive vontade de conversar
não tenho mais nada para falar
o receio é o cristal ter trincado
e o sonido nunca mais ser o mesmo
a camareira
na cama surta
na kama sutra
Você, morena, em minha cama.
Para todo vassalo, o suserano é um feudaputa.
Um dia ela sonhou comigo.
Disse que eu contava pra ela
que tinha um mapa-múndi desenhado na Lua
que era reflexo da Terra.
Ela acordou na real.
Eu fui dormir no fantástico.
Eu confundo um filme que me contam como se eu o tivesse visto.
Confundo se é um sonho antigo ou uma história que me contaram.
Confundo tudo nesse cafundó da vida.
A vida rola como num filme
Mas numa outra velocidade
Às vezes,
a urgência pede aquela legenda “6 meses depois”
quando reina o suspense
ou mesmo o terror
De outras,
certas lembranças remontam a “2 anos antes”
naquela aventura louca, quando os atalhos
não foram percebidos
Mas do lado de cá é slow motion
Então, pega a pipoca e a coca
e espera passar a sessão
- frame a frame
Geralmente, o The End é feliz.
Tenho amigudos
Tive amigursos
O POEMA É O
CHICLETE DA ALMA
MASCA-SE POEMA
SÓ PRA SI BOLAS
O GOSTO DO VERSO
NO REVERSO
DA LÍNGUA
E NO FINAL COSPE FORA
A Lua já vai plena no céu
Branca, lúcida
Densa de significados
de todas as eras
A vida vai sem o menor esforço
A vida leva
Fazendo ou não fazendo
A vida acontece
Nas teias
A vida tece nas veias
da morte
Não ouço teus versos
Não vejo teus olhos
Tua boca não me pede
Meu corpo chama pelo teu
Só a saudade me envolve.-- o --
Perdoe meu silêncio
As palavras estão gastas
Só resta o sentimento bruto
Da saudade-- o --
Depois que passou
veio como miragem
Agora a trama
é de sonho
Retícula translúcida
Frágil
A saudade tem esse poder:
reavivar, manter e ser insuficiente.
Sofro com as minorias
Elas sofrem com os olhares diretos
Com os comentários discretos
Com a repulsa velada
Sofro com as grandes catástrofes
Com os piores mistérios
Com as impossibilidades
Solitários na imensidão do caos
Vamos eu e meu planeta
Às vezes achava a vida um doce.
Às vezes uma fruta bichada que abria com as mãos.
Às vezes ardia em febre de esperança
Às vezes calafriava-se de incertezas
Às vezes às vezes, às vezes sempre.
A cama era um altar
O vinho corria nas veias
E o amor foi profanado nos lábios
Filme com final feliz é triste!
Os útimos contatos foram só
mentiras
falsidade
hipocrisia
dissimulação
e até leviandades
Puxei o fio.
Tem gente que faz teatro.
Tem figura que é uma peça.
A mulher nada
Homem, nado
Ele a remo
Ela no bote
O homem boia
A mulher jiboia
remoendo as minhas
mordeduras internas
o ranger dos dentes
das juntas, do cascalho
à espera da transição
Será que na sociedade dos passarinhos
- eles enquanto aves -
eles desafinam?
- Manuelzão?
- Não, o rígido: Manualzão!
jogue o jogo
escolhidas as armas
o duelo está pronto
honre as regras
para perder
e até para morrer
é preciso ter dignidade
o guerreiro está ferido
nada de batalhas, dragões
e princesas
o repouso é longo
a recuperação é lenta
a bandeira é branca
Suava frio. Um suor frio como iceberg.
Não era de pânico, era de frieza, mesmo.
Uma esfinge indiferente ao clima.
Um colosso inerte no tempo.
A indiferença não sua nem gela,
mas a frieza escorre na cara.
palavras descoladas
de emoção
tapumes que encerram
intenções lívidas
terreno ardiloso
construções inóspitas
em meio à fumaça
brandindo a espada no campo
o soldado perdido
coração capenga
lucidez turva
a ilusão nua
o mundo apoiado
sobre um joelho
Ela teve escolha, eu não tive
: ficar ou sair
Ela foice
Primeiro veio com meias verdades.
Depois chegou trazendo mentiras inteiras.
A manhã faz manha~ e retarda a alvorada.
A vida é feita de prazos.
A morte é à vista.
Vendo vassoura e produtos de limpeza
a rodo.
Um vaso de flores entristecidas
e entradas para o zoológico.
meus miolos o diabo ferve
peço a Deus um vácuo
na verve
saiu do facebook
sumiu do bate-papo
:a máscara era muito pesada.
o mel que saía da sua boca
já não adoça
alquimia estranha
:a distância turva o néctar
aves negras emanam
de um hálito morno longínquo
a saudade
as mensagens no celular
e a escova de dentes
da esperança se nutre
vide o voo alto
a que se lança o abutre
Em noite de lua cheia ou véspera
não gosto de papo de ET
e ETC.
não foi o navio pirata que abordou
nem foi o navio negreiro que raptou
foi a intifada da amada
que fez o levante da âncora
e zarpou
Latim:
In vino veritas.
Italiano:
È vero.
Mineirês:
É de vera.
levo comigo um punhado de pedras
as que me acertaram
as que catei na rudeza dos caminhos
aquelas nas quais eu tropecei
levo comigo também as perdas
- um fardo na existência
que me leva a deixar rastros
trago comigo as penas – as sentidas e as imputadas
mas me faltam aquelas que me alçariam voo
e me tornariam mais leve
a relação cai
morre o celular
silêncio pra todo mundo
A paixão é ave fugidia
alçapão não pega
ninho não aquece
pão não segura
um voo mais rasante
um mergulho no infinito
e o voo sem volta
penas e danos
voo sem revolta
Os sentimentos podem ser fortes como corrente
mas as relações têm elos frágeis.
passou por aqui
leu cartas
poemas
invocou destinos
deixou alma
palma
deixou gosto
triste sonho
tristonho
o sonho acabou
o tel toca
não o cel,
mas o céu
nau frágil
naufrágio
náufrago
O lápis vive se queixando da borracha,
diz que ela é uma desmancha-prazeres.
Enquanto a caneta ri soberba.
Ninguém tem nada a ver com a minha dor
Ninguém tem nada a ver com a minha cor
O problema é todo meu
Ninguém tem nada com isso
Ninguém tem nada comigo
Se a Rita me irrita, eu que me irrito
Ela tá na dela, ela é assim, eu sou assado
Sai fora da Rita, desse círculo viciado
Não se importe tanto
Não importar é o que importa
Dê um fim nisso
O meio não pode ser seu fim
O meio pode ser seu fim
Ou então voe alto
Para longe, em outros ares
Menos densos, mais raros
Outros lugares
Flutue, isso, respire, isso
O seu meio, o seu habitat
É você quem faz
Os fins não justificam os meios
O meio não pode ser seu fim
Eu tenho a pressa das emergências
Por isso meu carro bebe
Eu bebo
A travessia me entorpece
A demora chega nunca
Estou aqui de passagem
Enquanto não chego
- a lugar nenhum –
Vou apreciando as paradas
As folhas secas deveriam ser a única forma de lixo nas ruas.
Não sabia escrever um poema de amor.
Que horror!
Entretanto, falava “eu te amo” com a maior desenvoltura.
Que loucura.
Já ele, descrevia bem a sua paixão.
Sem discrição.
E diz que dizia, mais era com os olhos.
Quem não nasceu pra Elis Regina
Ainda pode ser
Uma Maria Rita
O alvo quando está longe
Não tem mira
Não tem alcance
A distância é cruel
O olhar distante
Perto, só a lembrança
A saudade de viés
O cheiro.
Um vaivém paralítico
Uma alma engessada
Âncora
Acordou,
colocou o dedo na tomada,
tomou sopa de letrinha
e uma injeção eletrônica.
Saiu pro dia naquele estado.
De choque, de surto-circuito.
“Quero te ver descendo daquele ônibus... é a situação mais real de todas, se não for a única. Porque o resto - cama, vinho, poesia -, isso é sonho, meu amor, isso é sonho.”
Entrei no Google Maps,
sobrevoei o paraíso,
caraí e araçuaí.
Fui atrás de você de satélite.
Tô perdido neste espaço.
Trilha de areia
sob mata
caminhada de hora
Finda a trilha
finda o verde
mar doce mar
Verve que ferve
pele que irradia
poesia
Fruta madura
caudalosa
signo de temporão
Subo neste pé
e provo o sentimento
da estação.
Sua voz me alimentou.
Veio à tona seu olhar
doce e certeiro.
Tácitos,
seus versos estocaram
meu peito e o sentimento
de pele tornou-se tato.
Pulsei depois
da sua ligação.
A saudade é um osso duro de roer.
A saudade é o cão.
A saudade é uma autofagia.
Depois de tanto verso
o inverso
Beijos desconstruíam
a palavra
Só a poesia continuava
Ontem você transpareceu
de corpo e alma
Densa, etérea
Volumosa, lânguida
Badalo, pluma
Comunguei o seu silêncio.
A morte me ronda a mente
Não como uma velha desdentada, foicemente
Mas como uma criança inocente
Que me pega pela mão
E me leva docemente
Às vezes me olhando terna
Às vezes olhando pra frente
E eu ali sendo levado
À espera da mudança
Da máscara.
Hoje o dia desceu escada.
Se a ancestralidade
não passa
magistralidade
A descendência
desemboca
na decadência - Medellín, 14/10/10
Se a ancestralidade não passa a magistralidade
A descendência desemboca na decadência.
- Medellín 14/10/10
Amei receber o seu livro.
Isso fica tão forte quando a gente não se conhece.
A gente só se estremece.
E se for a aleatoriedade, e não Deus,
a responsável pela Morte?
Aí, não adianta apelar, não adianta rezar.
Apelou, perdeu. Rezou, não valeu.
A coisa fica para a linha de montagem.
Alilás, para o defeito de fábrica.
Penetrou noite afora.
Desluou quando adentrou o dia.
Solarizou-se.
Numa questão semântica, farsa.
Noutra questão semântica, farta.
o fusca
ofusca
no lusco-fusco
O incenso queimou
e ela não veio.
O
t
e
m
p
o
c
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p
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l
t
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l
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O futuro é incerto, pode nem acontecer.
Não necessariamente pela morte
O futuro é uma questão de sorte
O presente é o ambulante que arrasta
a linha do passado para o futuro.
O passado, sim. Esse continua vivo.
Nem o mais exímio dos poetas,
Aquele que lavra a musa com o coração,
Que lança as sementes com as mãos calejadas de ternura,
Nem este consegue cultivar o broto de uma paixão não correspondida.
Todo trânsito é transitório.
Todo transeunte é passageiro.
Já vi disco voador,
já encontrei minha alma-gêmea,
meu anjo da guarda apareceu pra mim
e um mestre de luz em sonho real já me curou.
Envelhecer é perder o viço
e ter o visto negado
na entrada do paraíso.
Cada passo
Em falso
Um cadafalso
Envelhecer é ter a idade da alma defasada da idade do corpo. Esse é o problema, essa é a questão. Meus sonhos, meus medos, meus caprichos, minhas impertinências, minha ansiedade, minha irreverência, meu alter ego, minhas volúpias, minha criança que reside dentro de mim, todos existem, estão claros e evidentes em minha cabeça, em meu coração. Eles são a minha alma, a minha essência. Mas a carcaça desvia a atenção. Esse é o problema, essa é a questão.
À medida que envelhecemos vamos ficando transparentes, até atingir a invisibilidade. Aí é o breu total no fim do túnel.